Pedro nunca vira o mar.
A mãe contava-lhe histórias
Que o faziam sonhar
Com espuma, areia e ondas
Que à praia vinham parar.
O pai disse-lhe um dia:
- Amanhã vais ver o mar.
Pedro saltou de alegria,
Nem queria acreditar!
- Como seria? Como seria?
De longe o avô viria
num barco, a navegar.
E na bagagem traria,
para o menino encantar,
o mar que ele desconhecia.
- Onde se iria instalar?
Dormiria ele no quarto
ou na sala de jantar?
E foi com estas perguntas
que o Pedro se foi deitar.
Chegou o dia esperado.
No cais, o pai apontou-lhe
o tal mar tão desejado.
Mas tal quantidade de água
o deixou muito assustado.
- Como iria o avô fazer?
Só levaria um bocado?
O mar que ele estava a ver
já o tinha cativado
e não o queria perder.
Mas o avô tem solução.
Do bolso tira uma concha
que coloca na sua mão.
Diz-lhe que a leve ao ouvido
para lhe ouvir a canção.
Já não é mistério, o mar.
Bem escondido nessa concha
ele já o pode guardar
só para ele, no seu quarto,
para sempre o escutar.
Vila Nova de Gaia
PORTUGAL