Ainda tenho de teu aquele beijo
Que me destes no momento da partida,
Ainda guardo na memória a despedida,
O doce aroma do teu riso e do teu cheiro,
E aqueles breves momentos que vivemos
Junto das lágrimas que contive a muito custo,
Disfarçadas nos meus olhos de cimento.
Pensei que tudo fosse apenas passageiro,
Que o próprio tempo me faria te esquecer,
Jamais imaginei que minha alma
Enfeitiçada pelo brilho dos teus olhos
- que antes fora dura como pedra -
estivesse sem vontade de viver.
Agora, neste porto de saudade,
Meu barco vive junto a um cais de solidão,
Embora eu viva a navegar tuas lembranças
Num mar aberto de tormentas e tufões,
Virando as páginas de um livro de retratos
Onde o teu rosto é minha cruz e salvação.
( Alex Brondani )
Júlio de Castilhos - RS -
BRASIL