ESTA NOITE

Eu sinto, apalpo esta noite

ferida de lágrimas

revoltadas e caladas dentro de mim.

Tortura-me a imagem da tua ausência.

Chamo-te pássaro ou criança

nos beijos salgados e bronzeados

deste Verão que me colheu mulher.

Digo-te queixume ou silêncio

nesta Babel que as ideias são.

Digo-te incerteza, desinteresse,

neste combate egoísta da razão.

Arquitecto de sonhos, acordas o poeta

arquivado em medo e preconceito

dentro de mim, amor, dentro de mim...

 

 

( Marília Gomes)

Vila Nova de Gaia

PORTUGAL


 
 
 

 
 
 



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