Nesta solidão,
os remorsos de te ferir
são o tormento 
da tua ausência triste
e da minha melancolia.
Não ouso imaginar-te
fora de mim
nas madrugadas que nascem
com o meu sono 
por dormir.
De manhã 
esta mágoa, este vazio
doem-me no rosto e na alma
que voa ao encontro da tua.
Quero-te nos meus braços,
nos meus sonhos,
nas minhas viagens quixotescas
pintadas da aventura
deste esboço de futuro.
Não há só um dia
na vida que vimos escrevendo.
No peito há alegria
em contagem decrescente
esperando encontrar-te.
E esta contradição
é só uma infância de adulta
insegura e carente
perdida nos minutos que são teus
e `as vezes não sentes ...


 ( Marília Gomes )
Vila Nova de Gaia
Portugal

 

 

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