VEM

Diz-me porque prendes no silêncio

esse teu presente roído de incertezas e vem!

Vem procurar, connosco,

ser rio, ser nascente e foz.

Vem beber da sede e saciar-te,

chorar pelas lágrimas e revoltar-te.

Vem evadir-te dessas grades,

vem ter asas, vem ser vento.

Vem enterrar a guerra, engolir a fome,

vem ser criança, vem Ter futuro!

Vem semear-te e germinar

e crescer e dar frutos.

Vem!

Vamos ser mãos dadas, ser multidão.

Vamos ser força, vamos ser razão!

 

( Marília Gomes)

Vila Nova de Gaia

PORTUGAL


 
 
 



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